AUTOCRÍTICA OU AUTODESTRUIÇÃO?!



 Por Paulo Henrique Faria 

          E o que temíamos aconteceu: Jair Bolsonaro foi eleito neste domingo presidente do Brasil. Volta da Ditadura Militar? Duvido muito. Certamente será mais um governo neoliberal e desastroso, que governará exclusivamente para a Classe Alta e a Classe Média Alta – eleitores assíduos do mesmo.   

          Mas e agora? Vamos deixar os petistas fanáticos jogarem a culpa da óbvia derrota em Ciro Gomes?! Chegou a hora do PT parar de buscar bodes expiatórios em siglas coirmãs e começar a olhar com atenção para o próprio umbigo! Vários companheiros de PDT e até mesmo de outros partidos progressistas clamaram repetidas vezes para a formação da chapa Ciro Gomes presidente e Fernando Haddad de vice.  

          É público e notório que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manobrou – de forma equivocada e irresponsável – para que o PSB e demais legendas do Centrão não fechassem apoio a Ciro Gomes neste pleito. Tudo em nome do plano egoísta de hegemonia nas esquerdas. O resultado foi que o PDT teve que formar chapa pura, além de enfrentar os inúmeros adversários com pouco tempo de TV, estrutura, capilaridade e dinheiro.  

          Mas não adianta chorar pelo leito derramado. Temos que pensar pra frente. Acredito que o Partido dos Trabalhadores deve, urgentemente, trocar a presidência. Gleisi Hoffmann é um verdadeiro fantoche de Lula, que só serve para alimentar o fanatismo pelo ex-presidente. O ex-governador baiano e agora senador eleito Jaques Wagner seria o nome mais indicado para substituí-la no comando. Wagner, aliás, queria que os correligionários apoiassem Ciro nestas eleições de 2018.   

          Devemos empoderar a nova oposição ao vindouro governo Bolsonaro. O próprio Jaques Wagner deve ser o líder oposicionista no Senado e deve ter a companhia dos combativos Cid Gomes, Kátia Abreu, Weverton Rocha, Paulo Paim e outros. Só nos resta catar os cacos, colar tudo e seguir em frente! 
           
          Além disso, devemos intensificar a autocrítica nos partidos da Esquerda. O PDT – no qual sou filiado – errou em ter permitido nomes conservadores, e que nada tem a ver com a pauta trabalhista, adentrarem em seus quadros. Agora mesmo vimos os lamentáveis apoios ao neofascismo no segundo turno de Odilon de Oliveira, Carlos Eduardo Alves, Amazonino Mendes e Pedro Fernandes. Felizmente estes perderam e espero que sejam expulsos o quanto antes da representação política criada por Leonel Brizola.  

          Ciro também errou, ao meu ver, quando não procurou dialogar mais com Lula e a “burocracia” do PT. É fato que ele foi sacaneado ao longo dos anos por estas figuras, mas isso só deu combustível para que a aliança não saísse. No meu entender Ciro deveria ter declarado abertamente nas redes sociais e em entrevista coletiva que votaria em Fernando Haddad. Entretanto, entendo o recolhimento dele neste segundo turno. As pessoas simplesmente se cansam de apoiar e nunca ser apoiado de volta.   

          Logo, admito que Ciro Gomes errou. Obviamente, muito menos que Lula e boa parte da cúpula petista. Criticar construtivamente Ciro pelos seus erros e a falta de efetividade no segundo turno é legítimo. Porém, aponta-lo como culpado é de uma burrice extrema! Viram só amigos petistas, como é fácil e necessária um mea culpa?
           
        Por fim, reitero que fico com a indignação sincera dos aliados Cid Gomes, Mano Brown e Roberto Requião. Se o PT cair em si, se junta ao PDT, PCdoB, PSB, PSOL, Rede, PV e demais democratas para combater os abusos da nova presidência e, quem sabe, reparar o erro de agora lançando Ciro Gomes como cabeça de chapa e alguém forte do PT de vice (Pode ser Fernando Haddad ou mesmo Jaques Wagner) em 2022. Sim, porque se não houver união corremos o risco de reeleger Jair Bolsonaro ou deixar o abominável João Doria chegar ao poder. Entre autocrítica e autodestruição eu fico, com toda a certeza, com a primeira opção.

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