Por Paulo Henrique Faria
E
a boa notícia na política mundial veio da Argentina. Lá a coalização de esquerda
formada pela ex-presidenta Cristina Kirchner e o advogado Alberto Fernández
venceram neste domingo (11/08) as eleições primárias. Com quase 100% das urnas apuradas, Fernández e Kirchner obtiveram 47,66% dos votos, contra
os 32,08% do atual presidente Mauricio Macri.
É verdade que as eleições definitivas
argentinas só ocorrerão em outubro, mas esse expressivo resultado é sintomático
de como “los hermanos” estão fartos da péssima administração do neoliberal
Macri. E segundo analistas políticos de nossos vizinhos é muito difícil
reverter 15 pontos de vantagem em dois meses.
Foi uma cartada de mestra de
Cristina Kirchner, que mesmo tendo – no início do ano – a maior intenção de
voto nas pesquisas, abdicou da cabeça de chapa e aceitou ser vice de Alberto
Fernández. E nunca é demais lembrar que o mesmo Fernández fez parte dos governos
kirchneristas de 12 anos e, apesar disso, rompeu com os mesmos na fase final. Entretanto,
ambos deixaram de lado as diferenças, que se mostraram pequenas, e se juntaram
pelo bem da Nação.
Cristina teve a grandeza e humildade
que faltou a Lula no ano passado. Todo mundo sabia que o petista não poderia
ser candidato e que o único candidato da centro-esquerda com chances de vitória
era Ciro Gomes. Porém, o ex-presidente – de forma egocêntrica – foi contra
todos os prognósticos desfavoráveis e preferiu ungir o “poste” Fernando Haddad;
o resto é história.
O grupo político kirchnerista tem
uma rejeição quase tão maior que a do PT aqui no Brasil. Por isso mesmo
Cristina deu praticamente um “xeque-mate” na Direita argentina quando foi para
a vice-presidência. Esperemos agora que Lula e o Partido dos Trabalhadores se
espelhem nos nossos vizinhos progressistas e abra caminho para uma união da
Esquerda em 2022. Ciro Gomes (PDT) segue sendo o nome mais forte da oposição
brasileira e pode ter os bons nomes de Flávio Dino (PCdoB) e o próprio Fernando
Haddad (PT) como vice. A tendência de vitória é alta!
Obviamente
essa união só sairá se o “São Lula” cair em si e entender que os interesses do
País são mais importantes que os de projeto de poder. Encerro minha digressão
com uma emblemática frase do caudilho e ex-presidente argentino Juan Domingo
Perón: “Na ação política, a escala de valores de todo peronista é a seguinte:
primeiro a pátria, depois o movimento, e depois os homens”.


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