Pelé aprendeu com Maradona?




Por Paulo Henrique Faria 


        Agora é oficial, o Neoliberalismo começou a ser extirpado do governo argentino! A chapa encabeçada por Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner venceu, neste domingo (27/10), o até então mandatário da “Casa Rosada” Mauricio Macri. Cristina teve lá a grandeza que Lula deveria ter tido cá, há pouco mais de um ano.   

        Com 97% das urnas apuradas, Fernández ganhou com – até então – 48,1% dos votos (O que corresponde a pouco mais de 12,4 milhões de eleitores), ante 40,4% de Macri (10,4 milhões da preferência). Portanto, os cálculos de Kirchner estavam absolutamente corretos! Ela iria pro 2º turno, mas, pela forte rejeição ao seu nome, tinha altas chances de ser derrotada na sequência do pleito.  

        Todavia, para entender melhor a jogada certeira de Cristina Kirchner é preciso retroceder até 2017, quando a líder do Kirchnerismo foi eleita senadora. Se elegeu só que atrás do candidato macrista Eduardo Bullrich. Isso, certamente, já ascendeu o sinal de alerta para as eleições presidenciais de agora. Cristina, tal qual Lula aqui, era constantemente perseguida pelo sistema judiciário. Via, assim, sua rejeição crescer diante dos constantes ataques que sofrera da Mídia alinhada ao Mercado e à Direita portenha.  

       Segundo relato, à BBC Brasil, do político Eduardo Valdés, que apresentou Alberto Fernández ao casal Kirchner em 1997, Cristina observou que Lula não conseguiu transferir todo o seu capital político para Fernando Haddad em 2018. Desta maneira, no início deste ano, Fernández – rompido com os Kirchner há mais de sete anos – foi procurado por Cristina. Em maio ambos anunciaram a aliança denominada “Todos”. Que consistiria numa união de partidos e grupos políticos da centro-esquerda argentina. Peronistas e Kirchneristas juntos para retirar o poder das mãos da Direita antipovo! 

     Alberto Fernández, advogado e adepto do Peronismo (Espécie de Varguismo/Trabalhismo) na política e do Neo-Keynesianismo na economia, foi chefe de gabinete de Cristina Kirchner. É impossível, pelo menos pra mim, não fazer uma correlação do novo presidente argentino com Ciro Gomes. Pra quem não lembra, o pedetista foi ministro de confiança de Lula e ajudou fortemente na crise do “Mensalão” de 2005. Ciro apoiou o Lulopetismo até 2016, mas, nos últimos dois anos, vem trocando farpas com os mesmos. Ciro Gomes foi claramente sabotado por Lula nas eleições de 2018, tudo em nome do hegemonismo no campo progressista. E assim como Fernández se tornou um forte crítico do governo que fez parte.

Lula sabia que não poderia ser candidato e que seu sucessor forjado às pressas, Fernando Haddad (que havia perdido reeleição em 1º turno em 2016), seria uma presa fácil para o neofascista Jair Bolsonaro no embate final. Todas as pesquisas mostravam que Ciro seria um player mais competitivo nas projeções de 2º turno, por conta da sua baixa rejeição. Ao passo que o antipetismo não parava de subir no país.  

          Pra quem acompanha de perto a conjuntura política brazuca, sabe que em 2022 o Bolsonarismo deverá chegar torrado e, portanto, figuras da soft right como o apresentador Luciano Huck ou governador paulista João Doria, se mostram como os prováveis herdeiros de boa parte destes eleitores arrependidos de Bolsonaro. Sabem também, que as chances de Haddad ser novamente derrotado são muito grandes.   

          Não seria a hora de Lula assumir os vários erros políticos que praticou e chamar o antigo aliado Ciro para uma conversa franca e conciliadora?! Temos agora menos de três anos para aparar as arestas e nos unir. Uma aliança entre PDT, PT, PSB, PCdoB, PSOL, REDE e outros partidos de Centro poderia eleger uma chapa formada por Ciro Gomes e Fernando Haddad! Afinal, nossa concordância é muito maior do que o contrário. Somos a atual oposição no Brasil. Está na hora do “Pelé” admitir que se equivocou e aprender com os acertos do “Maradona”.
         

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