
Por Paulo Henrique Faria
No último domingo (10/06) o
instituto Datafolha apresentou uma nova rodada de pesquisa presidencial. Os
resultados não obtiveram parciais com grandes destaques em relação à última
enquete, de dois meses atrás. Entretanto, já reforça tendências que ganham cada
vez mais efetividades, como uma nova polarização de forças políticas entre Ciro
Gomes x Jair Bolsonaro; PT e PSDB em situações difíceis; Marina Silva estagnada
e, provavelmente, isolada nas eleições.
Como
já é ponto pacífico entre os cientistas políticos e analistas eleitorais de que
o ex-presidente Lula não poderá disputar novamente o pleito à presidência,
falarei dos cenários sem o líder petista. Neles, o deputado Jair Bolsonaro
(PSL) lidera com 19% das intenções, seguido da ex-ministra Marina Silva (Rede)
entre 15% e, em terceiro, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) com 10%. Estes três players já estão consolidados nos dois
dígitos e dificilmente serão rebaixados deste patamar.
No
segundo pelotão aparecem respectivamente o ex-governador de São Paulo Geraldo
Alckmin (PSDB) com 7%; o senador Alvaro Dias (Podemos) com 4% e, ambos os “Planos
Bs” do PT, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia
Jaques Wagner não saem do 1%. Confiram estes resultados no quadro abaixo:
Outro
fator de grande interesse desta Datafolha diz respeito às simulações de segundo
turno. Nelas, apenas Marina Silva e Ciro Gomes se dão bem nos confrontos
diretos. Ciro venceria Bolsonaro e Alckmin (Em abril ele empatava com ambos) e
ganha com folgas de Haddad. O pedetista só perderia para Marina Silva, que leva
vantagem sobre todos os demais. Chama atenção ainda o fato de Fernando Haddad -
hoje o mais cotado para ser o candidato substituto do PT – perder em todos os
cenários testados. Veja adiante:
Muitos petistas podem tentar
justificar o fraco desempenho de Haddad e Wagner, alegando que ambos não são
tão conhecidos do grande público. Ora, os dois já estão há muito tempo na
política; um já foi prefeito da maior cidade do país e o outro governador do
quarto estado brasileiro. Já foram ministros com destaques nos governos Lula e
Dilma. Portanto, a militância lulopetista se engana em tentar rebater estas
comprovações por este viés de desconhecimento popular.
Um outro indicador favorável a Ciro Gomes –
principal representante remanescente da Esquerda – é o item rejeição. Ciro
continua com a menor dentre os principais pré-candidatos. Estacionou nos 23% e
teve poucas oscilações do ano passado para cá. Ciro voltou a ser muito
conhecido pela grande exposição na mídia nos últimos 18 meses e, portanto, vê
seu potencial de voto crescer a cada pesquisa. Veja os números a seguir:
Aliás
Ciro Gomes incomoda a quase todos os seus adversários neste ano de 2018. Isso porque
o PDT está na iminência de fechar alianças com PSB. Se isto acontecer, muito
provavelmente a também pré-candidata Manuela D’Ávilla desistirá de concorrer
para, que seu partido, o PC do B, também integre esta parcial frente de
centro-esquerda. De “centro-esquerda” porque também pode aglutinar siglas do
famoso “Centrão” como PP, PR, Solidariedade, Avante e PROS. Ciro, eu e todos
vocês sabemos bem que esse arranjo não é o melhor dos mundos. Mas é um caminho
possível para desbaratar o famigerado MDB. E certamente se Ciro obtiver êxito,
saberá separar o “joio do trigo” e não deixará a “raposa cuidar do galinheiro”.
Vocês
devem se perguntar: Mas por que Ciro incomoda com estas estratégias? A resposta
é simples: Ciro Gomes está desarticulando o PT (que quase sempre teve PC do B e
PSB como fieis apoiadores), além de tirar parte expressiva dos partidos de
centro-direita das mãos dos tucanos. Jair Bolsonaro também se mostra pouco à
vontade com este rearranjo, uma vez que sonhava com o apoio do PR e a vice do
senador capixaba Magno Malta. Esta jogada já foi descartada pelas partes
envolvidas, inclusive.
PT
e seu “poste” prontos para a derrota
O que reforça esta tese de
que o “Poste do PT” será malsucedido - ao meu ver - nas eleições vindouras, é justamente o
resultado de que dispara o número de pessoas que não teriam candidato, sem Lula
na disputa. Os índices passam de 21% para 34% de indecisos, brancos, nulos ou
abstenções. Um argumento que complementa esta máxima foi quando o Datafolha
apresentou cinco nomes identificados com a esquerda como alternativa a Lula e,
adivinhem, um terço indicou Ciro Gomes como a melhor escolha. Veja abaixo esses
números:
O
Partido dos Trabalhadores e seus dirigentes insistem – de forma muito
equivocada – em reafirmar que vão levar a candidatura de Lula até as últimas
consequências. O ex-presidente está preso há dois meses e não tem sequer uma
única perspectiva de soltura. Ele não poderá gravar vídeos, não irá evidentemente
a palanques e deverá ter seu registro cassado (por meio da Lei da Ficha Limpa)
pelo TSE até, no máximo, começo de setembro. Ou seja, em plena campanha
oficial.
Os
relatos de bastidores dizem que colocarão Fernando Haddad como vice, para,
quando referendado este impedimento de Lula, ocorrer um “dedaço” e o
ex-prefeito assumir o lugar vago. Gente, o eleitor não tem dono. O voto de
cabresto já está praticamente extinto no Brasil. Esses 30% de capital eleitoral
que Lula ainda possui “pertencem”, quase que exclusivamente, a ele. Logo, o
grau de transferência de votos pode ser insuficiente para colocar Haddad no
segundo turno e, num cenário tenebroso, tirar Ciro Gomes – de novo, o nome mais
forte do campo progressista – desta disputa decisiva. A Esquerda desunida é
tudo o que a Direita e a Extrema-Direita querem.
PSDB
em desespero
Geraldo Alckmin não consegue romper os meros 7%. Mesmo com
quase todo o PIG o ajudando; “Mercado” o assumindo “como o candidato do centro”;
e, claro, todo o dinheiro e estrutura partidária tucana ao seu dispor. Além
disso, parece que só virá com os inexpressivos suportes do PPS e PTB. Prováveis
aliados como PSC, PSD e PRB mantêm suas eventuais pré-candidaturas.
O ex-ministro da fazenda
Henrique Meirelles (MDB) quer morrer abraçado com Michel Temer, detentor do
governo mais impopular da história brasileira. Tem ainda o agravante de Rodrigo
Maia e o DEM rechaçarem a ideia de vir com o PSDB novamente. Os Democratas cogitam
até apoiar Ciro, mas não querem se ver nas fotos com Alckmin e correligionários
do paulista.
Marina
Silva cada vez mais irrelevante
Marina aparece ultimamente de 13 a 15 pontos no Datafolha
desde 2017. Todavia, tem pouca exposição da mídia. Sua boa colocação se dá pelo
recall político que detém e não pelos
seus posicionamentos. A ex-ministra não está envolvida em casos de corrupção e/ou
denúncias; isto é fato. Mas deixa cada vez mais difusa suas ideias sobre como
pretende encarar os inúmeros e grandiosos problemas que a nação enfrenta. Ela é
definida por muitos como a candidata “em cima do Muro”. Soma-se a isso a frágil
condição da Rede Sustentabilidade no Congresso Nacional, bem como a patente
falta de capilaridade dos mesmos. As grandes siglas não querem apoiá-la e,
assim, ela se vê cada vez mais solitária. Se ficar em terceiro lugar, pela
terceira vez consecutiva, já poderá pedir música no programa Fantástico!
Bolsonaro tem pavor de sabatinas e debates
Jair Bolsonaro fica abertamente
injuriado quando é escrutinado em sabatinas organizadas pelos grandes
conglomerados da imprensa nacional. Se recusou a ir a evento organizado pelo
Uol/Folha de São Paulo/SBT. Detalhe: todos os principais pré-candidatos bem
posicionados e com condições de disputa foram até lá. O ex-capitão igualmente
não confirmou ida ao tradicional Roda Viva da TV Cultura que realiza uma rodada
semelhante de coletivas. Ele foge de entrevistas elaboradas e debates com
concorrentes, como o diabo foge da cruz.
Já admite que pretende
repetir Fernando Collor em 1989, quando o então candidato que iria “caçar
marajás” só participou do último debate na Globo. Bolsonaro segue este enredo
porque não quer deixar transparecer seu completo despreparo para lidar com os
temas básicos do poder executivo. Escancarar em rede nacional a sua
incapacidade cognitiva e o ódio que exerce para com as minorias derrubariam por
Terra suas pretensões de chegar ao posto de mandatário-mor.
Ciro
Gomes: O anti-Temer e anti-Bolsonaro
Ciro Gomes tem ganhado cada vez mais notoriedade nos “jornalões”
e internet. Já emplacava manchetes – de forma muito esperta – como um crítico contumaz
do governo golpista de Michel Temer. Agora também traçou a meta de ser o oposto
ao extremista conservador Bolsonaro. Ciro é contra a reforma da previdência
apresentada, já disse que revogará a draconiana reforma trabalhista e que fará
de tudo para reverter a criminosa PEC 95, que congela os investimentos públicos
em saúde e educação por absurdos 20 anos.
Gomes já chama Bolsonaro em
público de fascista e que, segundo palavras do próprio, seria um “câncer que
precisa ser extirpado da democracia”. Ciro é de longe o candidato mais
preparado intelectualmente dos que postulam o Palácio do Planalto nesta ocasião.
Dispõe de muita experiência administrativa e eleitoral. E se mostra um grande
jogador de xadrez a cada mês.
Ele sabe que ao se colocar como o candidato da oposição abre seu leque de simpatia com a maioria dos eleitores brasileiros, que são quase unânimes em chamar Temer de corrupto e incompetente. Para além disso, Ciro ocupa naturalmente o vácuo deixado por Lula e aparece como o nome antagônico a Jair Bolsonaro. Ainda tenho dúvidas de que o parlamentar do PSL irá para segundo turno, mas isso é um problema do PSDB e não nosso. Em suma, após a Copa do Mundo as definições neste jogo da política tupiniquim pegarão fogo.
Ele sabe que ao se colocar como o candidato da oposição abre seu leque de simpatia com a maioria dos eleitores brasileiros, que são quase unânimes em chamar Temer de corrupto e incompetente. Para além disso, Ciro ocupa naturalmente o vácuo deixado por Lula e aparece como o nome antagônico a Jair Bolsonaro. Ainda tenho dúvidas de que o parlamentar do PSL irá para segundo turno, mas isso é um problema do PSDB e não nosso. Em suma, após a Copa do Mundo as definições neste jogo da política tupiniquim pegarão fogo.




Perfeita e alinhada ao momento! Só gostaria de registrar que o PT não vai abrir mão até o TSE negar a candidatura, então até vamos tocando a nossa bandinha e começar a fazer Politica de verdade, com articulações atraindo todos para um projeto Nacional e Transparente!
ResponderExcluirObrigado pelo prestígio. Sim, uma pena o PT não querer vir com o PDT. Advogamos uma união em torno da chapa Ciro Gomes Presidente e Fernando Haddad vice, mas isso está cada vez mais improvável. Enfim, vamos seguindo nosso caminho! Abraço!
ExcluirLula livre, fora golpista e fascitas...
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