Por Paulo Henrique Faria
As
indefinições na centro-esquerda brasileira nos deixam – progressistas tupiniquins
– a cada dia e hora mais aflitos. Em dado momento falam que Ciro Gomes está
isolado, outra que pode ser vice do ex-presidente Lula. Fato é que se o campo
progressista seguir desunido, como de fato está há algum tempo, a tendência de
ocorrer um segundo turno catastrófico entre direita x extrema-direita é real.
Dias atrás, a senadora e atual
presidenta do PT Gleisi Hoffmann afirmou que “Ciro Gomes não passa nem como
reza brava”. Entretanto, ontem em Curitiba afirmou que o ex-ministro seria um
bom vice. Essa esquizofrenia petista não é salutar, pois leva uma indefinição
eleitoral que só beneficia os inimigos (Ultraliberais e Fascistas). É nítido
que parte expressiva do PT quereria Manuela D’Ávilla de reserva, trazendo
consigo todo o PCdoB. A jovem deputada gaúcha até aceitaria o convite, mas foi prontamente
vetada pelo líder mor petista, nesta sexta-feira mesmo na capital paranaense.
Lula, ao que tudo indica, quer seu
ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes como vice. Sabe que este se tornou
um candidato forte e com destacável penetração na classe média e eleitorado
médio do Nordeste. Por isso fez – até o presente momento – com que o PSB
nacional não fechasse aliança com o PDT. Entretanto, Ciro é também um jogador
hábil e só aceitaria a aliança se tiver a garantia de ser de fato o cabeça de
chapa substituto. Não por acaso, ofereceu a vaga de vice para Manuela há pouco,
a fim de forçar o PT a um consenso.
Diante de todo esse cenário
imprevisível, evoco fatos históricos na política do País. Recordo-me de ler nos
livros e assistir em documentários que o maior presidente da História do Brasil,
Getúlio Vargas, em seu último mandato, já enxergava no então governador mineiro
Juscelino Kubitschek seu natural sucessor. Não custa nada lembrar que Vargas
era comandante do PTB (hoje PDT) e JK pertencia ao PSD.
Getúlio
se matou há quase 64 anos para salvar a democracia de um golpe militar (motivados
pela UDN), que só seria colocado em prática de fato dez anos mais tarde. Sim,
porque nas eleições presidenciais de 1955 PSD e PTB se aliaram e elegeram
aquela que, na minha opinião, foi a melhor dupla a nos governar: Juscelino
Kubitschek e João Goulart.
Há
20 anos, o grande herdeiro do trabalhismo de Getúlio, o também gaúcho, Leonel
Brizola deixou de lado suas desavenças com Luiz Inácio Lula da Silva e aceitou
ser vice do mesmo. Ambos perderam para FHC. Todavia, reacenderam a chama de que
os dois maiores partidos da dita Esquerda na Nação poderiam seguir juntos.
Perante
ao exposto até aqui, invoco ao grande e injustiçado presidente Lula que
abandone, temporariamente, o orgulho de lado e desista da sexta candidatura
presidencial de sua bela trajetória. Os golpistas atuais claramente não o
deixarão concorrer. E peço isso, humildemente, para que ele endosse a chapa dos
sonhos: Ciro Gomes presidente e Fernando Haddad de vice. Se o fizer, Lula se
igualaria a Vargas e Brizola.
Ciro
certamente alcançaria os 30% de intenções de voto e se tornaria o grande
favorito a vencer. Assim, nosso tão sofrido Brasil teria uma dupla de políticos
progressistas e nacionalistas no poder, tal qual experimentara com JK e Jango
nos anos 50. Ciro certamente colocaria o Brasil nos eixos e poderia até
indultar Lula – haja visto da vergonhosa condenação sem provas que sofreu. Se
este acerto se concretizar a história estaria completa, com um legítimo final
feliz para todos nós.

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