CIRO X HADDAD como opção contra Bolsonaro: o que fazer?





Por Alexandre Morgado



     Está é uma análise da nova pesquisa eleitoral, por quem trabalha com isso. É longo, mas pode dar uma luz pra quem tá perdido entre tantos dados conflitantes.

     A madrugada traz análises políticas perigosas! rs... saiu DataFolha fresquinha hoje (e se você acompanha meus posts, insisto: apenas DataFolha, Ibope e Ipsos tem estrutura pra fazer essa pesquisa a nível nacional com fidedignidade. Estou dizendo isso porque há anos acompanho os institutos nas eleições, e são os únicos que chegam perto toda vez, é uma questão de histórico. IGNOREM os outros. As pessoas têm me dito "mas as pesquisas flutuam tanto", porque tem olhado "Paraná Pesquisa", seguido de "CNT", seguido de "Pesquisa online no facebook", e ficam sentindo que tudo flutua e nada faz sentido. Se você comparar só esses institutos que citei, vai ver consistência.

MAS VAMOS LÁ! Leitura fresquinha de 10/09 do Datafolha:

 
Jair Bolsonaro (PSL): 24%
Ciro Gomes (PDT): 13%
Marina Silva (Rede): 11%
Geraldo Alckmin (PSDB): 10%
Fernando Haddad (PT): 9%
(todos os demais, menos de 3%)

 

     Como a pesquisa tem uma possível margem de erro de 2% pra cima ou 2% pra baixo (desvio padrão), podemos afirmar que temos Ciro, Marina e Geraldo em um empate técnico, e Haddad 1% atrás do Ciro.

     Mas não adianta olhar só o pontual, tem que olhar a tendência. De 20 dias para cá, Bolsonaro cresceu 2% (embora o "efeito facada" ainda não seja sentido 100% aqui, vamos saber só na próxima leitura), Marina caiu 5% nas últimas leituras, Ciro cresceu 3%, Alckmin cresceu 1% e Haddad cresceu 5%.

     O crescimento de Haddad pode ser explicado por finalmente ele tomar o protagonismo das campanhas do PT, que até então estavam 100% focado no Lula (essa pesquisa inclusive é estimulada sem Lula como opção, ou seja, a transferência de seus votos já foi feita). Outra coisa que explica tanto o crescimento de Haddad quanto a diminuição da Marina é o efeito "TV ABERTA". Hoje, a TV aberta é o único veículo com 99% de penetração na sociedade brasileira e ainda é de longe o maior formador de opinião política (e de outras opiniões também). O PT tem um dos maiores tempos de TV, Marina tem um dos menores. Pra quem não sabe, o tempo de TV é calculado de acordo com o tamanho da bancada de cada partido no Congresso, e no caso, a Rede de Marina tem poucos parlamentares eleitos, e o PT tem a terceira maior bancada parlamentar.

     Outro fator importante a ser analisado é a rejeição de cada candidato. A Rejeição de Bolsonaro cresceu de forma relevante, saltou de 39% para 43%. Isso significa que o cenário para o Bolsonaro no segundo turno é bem inseguro.



Rejeições:
Bolsonaro: 43%
Marina: 29%
Alckmin: 24%
Haddad: 22%
Ciro: 20%

     

     Marina teve aumento de rejeição de 25% para 29% (toda eleição a mesma coisa, ela começa bem, chegam os debates, campanha e TV, ela começa a cair),

     A rejeição do Ciro caiu, de 23% para 20%. Ele vai seguir uma tendência positiva de intenção de votos se isso se manter.

     Alckmin e Haddad ficaram estáveis (se considerar a margem de erro). Alckmin "cai" de 26% para 24%. Haddad "cresce" de 21% para 22%.

     Essa estabilidade (com cheiro de crescimento) é um possível indício de que a elasticidade do Haddad pode estar chegando ao fim, vamos ter que esperar a próxima leitura, mas a não ser que o PT faça um belíssimo trabalho no seu esforço publicitário, Haddad pode estacionar na corrida no
terceiro lugar na disputa (Marina deve cair ainda mais e sair do páreo).

     E o segundo lugar? Quem vai pro segundo turno com Bolsonaro? A disputa provavelmente está entre Ciro e Alckmin, com uma possibilidade de Haddad, se houver uma guinada inesperada.

     O lance é que o Alckmin segue estável. Estabilíssimo, crescer 1% não é crescer. A ausência de uma mensagem única principal em sua campanha, a associação à corrupção que Aécio trouxe pro partido, um plano de governo genérico e uma absoluta falta de carisma está fazendo com que os eleitores à direita tenham focado ainda mais sua atenção em Bolsonaro.

     E tem o Ciro, que tem crescido. Tem feito uma campanha consistente, abocanhado votos dos eleitores à esquerda que estão insatisfeitos com o PT insistir em uma candidatura de Lula que não vai acontecer até o último momento, e tem se dado bem em debates e entrevistas, com um plano de governo centrista, moderado, com pitadas de atenção ao social. Ciro também é o único candidato que enxerga a melhoria da economia através do poder de consumo na mão do povo (o único outro candidato que tocou no assunto de forma relevante foi Henrique Meirelles, com seus 1% de intenção de votos), e não a perpetuação do domínio bancário sobre uma população endividada pagando juros para os bancos mês após mês com a economia estagnada. Ele é o único candidato com intenção de votos relevante que abertamente está desafiando os bancos. Os demais, inclusive Bolsonaro, que se diz o rompedor de paradigmas, estão evitando o assunto (é muito dinheiro, né?)



E como estão as simulações de segundo turno do Data Folha?

- Marina 43% x 37% Bolsonaro
- Alckmin 43% x 34% Bolsonaro
- Ciro 45% x 35% Bolsonaro
- Haddad 39% x 38% Bolsonaro

E só por diversão, caso tudo mude e o velho FLA x FLU do PT e PSDB se repetir, o Alckmin leva:

- Alckmin 43% x 29% Haddad 





     A força de Alckmin no segundo turno, seja contra o Bolsonaro ou contra Haddad vem da tradição do PSDB e da consistência (que no primeiro turno se chama "tédio"), contra opções que parecem incertas (menos conhecidas, familiares) e/ou instáveis.

     Mas o recado é claro, né... no segundo turno Bolsonaro se dá mal pela alta rejeição (e podemos agradecer às mulheres aqui, que rejeitam ele 2x mais do que os homens). Quem melhor pontua contra ele é o Ciro. 10 pontos a mais, diferente do Haddad, que nessa pesquisa empatou e na anterior perdia.

     Porque Bolsonaro pontua mais contra Haddad do que os demais? A alta rejeição do PT por todos os eleitores que não se posicionam à esquerda faz com que se agrupem mais em qualquer opção de direita no segundo turno. Por isso que Alckmin, a opção segura, bate Haddad fácil, e Bolsonaro está ali, na beira de ganhar.

     Em resumo: PERIGO. Se o seu objetivo é motivado pelo desespero, se o foco é impedir que o Bolsonaro ganhe (como é o meu), saiba que com Haddad o futuro é incerto, e com Ciro, muito mais seguro.

     E só pra deixar o último pensamento, caso o Alckmin desponte e vá pro segundo turno como o candidato da direita no lugar de Bolsonaro, lembrem-se: Alckmin ganha tranquilamente de Haddad, mas não do Ciro.



- Ciro 39% x 35% Alckmin



     Minha decisão já está tomada. Analisarei, no entanto, a próxima leitura antes da eleição.



     Boa sorte pra todos nós que sentem que nenhuma das opções hoje representa os reais interesses da população, e que estamos, mais uma vez, perpetuando a "velha política". 



Alexandre Morgado é publicitário, natural de Bauru e hoje residente em São Paulo.

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