O Brasil precisa de profecias: Contra a ditadura da falta de alternativas


     Foto: Vivian Reis/ G1



Por André Luan Nunes 


Todo historiador tem como objeto de estudo o tempo. Se enganam aqueles que temos o olhar voltado para questões vinculadas estritamente ao passado. Pensamos e refletimos sobre nossas ações. Ações essas que projetam expectativas. Dizem respeito ao nosso futuro presente, nos dizeres de Reinhardt Koselleck.

Do ponto de vista político, a nação brasileira se transformou durante as últimas quase duas décadas numa polarização entre dois partidos que atrofiaram por anos o debate sobre a questão nacional. Principalmente em 2014, com a polarização mais estética já vista aos olhos de quem vos escreve, entre Dilma e Aécio. Dilma não foi Lula da transposição do São Francisco em seu segundo mandato. Dilma foi “natoralmente” - palavra derivada da gíria "na tora" - o programa tucano.

O lado bom do Brasil ser um país com futuro ampliado e inalcançável devido a sua grandeza foi substituído por estratégias ultra regionalizadas de dois partidos que se forjaram e expandiram a guerra “paulistocêntrica” para todo o país.

Estávamos enclausurados na ditadura da falta de alternativas. Ou se era um salgado, ou se era um pão com mortadela. Essa versão tosquerada da luta de classes promovida pelo “paulistocentrismo” sequestrou mentes e cérebros individuais e coletivos - os demais partidos políticos.  

No entanto, abrimos uma fenda capaz de libertar o futuro das amarras ditatoriais de PT e PSDB, e que, ao fim e ao cabo, desembocou numa polaridade perigosa contra o militarismo que disputa eleições e tem saudades da ditadura.

Consolidamos uma candidatura com a capacidade de retomar a noção estratégica de país. Capaz de dialogar com amplos setores da sociedade civil e da intelectualidade. Que pensa a unidade nacional na sua diversidade.  

Que irá libertar do cotidiano das peladas de domingo a temperatura elevada de debates improdutivos entre amigos que votam num discurso vazio de Bolsonaro, repudiam o PT, a corrupção, que dizem que o nazismo é "coisa de esquerdista", etc. "O Brasil precisa de sossego", alerta nosso porta-voz Ciro Gomes.

A libertação do futuro à ditadura da falta de alternativas já se iniciou. Começamos com 1% dos votos. Fizemos um trabalho de base que nos deu condições competitivas de desafiarmos estruturas poderosas. Estamos à frente do candidato que possui cinco minutos ininterruptos de televisão. Somos campeões de votos entre o eleitorado jovem progressista.  

Os pensamentos e nossa ação política precisam manter o alto astral da campanha. Nosso futuro passou a ter um tom mais profético a partir de uma visão conjunta de Brasil. "Profético" no melhor sentido da palavra, conforme proposto por Mangabeira Unger. Que sejamos capazes de projetar futuros inventivos e criativos. Esse é o papel de quem almeja o progresso de nossa pátria.  

Que tal fenda se materialize em organização partidária e vitória eleitoral! O medo se combate com esperança e satisfação de militar pelo mais justo, pelo mais viável e pelo possível. Que seja uma alternativa de fato. Iremos vencer a batalha da pobre polarização. Enriquecemo-la com novas contradições e possibilidades programáticas. 


André Luan Nunes Macedo - Doutorando em História pela Universidade Federal de Ouro Preto

Nenhum comentário:

Postar um comentário