Por Alexandre Morgado
Para relembrar, análise de 10/05: http://teamcirogomes.blogspot.com/2018/09/ciro-x-haddad-como-opcao-contra.html e Ainda a análise de 15/05: http://teamcirogomes.blogspot.com/2018/09/ciro-x-haddad-como-opcao-contra_15.html
Para relembrar, análise de 10/05: http://teamcirogomes.blogspot.com/2018/09/ciro-x-haddad-como-opcao-contra.html e Ainda a análise de 15/05: http://teamcirogomes.blogspot.com/2018/09/ciro-x-haddad-como-opcao-contra_15.html
Tomo sempre o tempo antes para repetir que
pesquisa eleitoral, para mim que trabalho com pesquisa, é apenas Datafolha,
Ipsos e Ibope. Eu não analisei a pesquisa Ibope de 2 dias atrás por dois
motivos: não tive tempo, trabalho pegando, e porque não ia poder fazer uma
evolução, já que as metodologias não são comparáveis (sim, você não pode
comparar uma pesquisa Datafolha com Ibope para olhar evolução). Ibope faz
painel domiciliar, com um painel fixo de pessoas. Datafolha fala com pessoas
aleatórias na rua. Além de preferir a metodologia Datafolha, agora que estou
analisando em série, só faz sentido comparar laranjas com laranjas. Vamos lá,
comparando os três períodos (você pode checar os dados você mesmo, aqui: https://glo.bo/2xBQA4r),
temos:
Jair Bolsonaro (PSL): de 24% a 26% para 28%
Ciro Gomes (PDT): estável em 13%
Marina Silva (Rede): de 11% a 8% para 7%
Geraldo Alckmin (PSDB): de 10% a 9% e estabilidade
Fernando Haddad (PT): de 9% para 13% para 16%
(todos os demais, menos de 3%)
Ciro Gomes (PDT): estável em 13%
Marina Silva (Rede): de 11% a 8% para 7%
Geraldo Alckmin (PSDB): de 10% a 9% e estabilidade
Fernando Haddad (PT): de 9% para 13% para 16%
(todos os demais, menos de 3%)
Novamente, como a pesquisa tem uma possível
margem de erro de 2% pra cima ou 2% pra baixo (desvio padrão), podemos afirmar
que nada mudou para Ciro, Marina e Alckmin no curto prazo, o crescimento real é
dos 3% de Haddad e a queda real (se olhar os dois períodos) é de Marina.
Bolsonaro também cresce apenas 2% e pode ser
margem de erro, mas ele tem crescido consistentemente, e assim como na última
análise, meu palpite é que o crescimento é real. No acumulado dos dois períodos
ele cresce 4%. Vamos sentindo paulatinamente o "efeito facada", que
deve permanecer. Seu lugar no segundo turno está praticamente garantindo, a não
ser que haja uma mudança brusca de eventos. A dúvida segue: quem vai pro
segundo turno?
Para mim, a questão não está decidida. Ciro e
Haddad seguem empatados pela margem de erro, onde Ciro pode ter de 11% a 15%, e
Haddad de 14% para 17%. Isso é, metodologicamente, ainda um empate técnico. Mas
uma coisa é clara: Haddad não cresceu tanto quanto na última leitura, e isso
significa que ele pode tanto estabilizar, quanto continuar crescendo, mas
menos. Aquela grande transferência esperada dos votos totais de Lula continua a
não aparecer.
Alckmin e Marina, no entanto, tem poucas
chances de alçar novos patamares, pois estão há três leituras consecutivas
caindo. A não ser que algo movimento bruscamente o volume de votos para eles
(um fator fora do comum, ou como chamamos na estatística, um "cisne
negro", as chances de que isso mude são baixas).
E as rejeições? Vou olhar apenas o acumulado
dos dois períodos para não ficar esbarrando em margem de erro. Eis os números:
Bolsonaro: de 43% a 44% para 43% (estabilidade)
Marina: de 29% a 30% para 32% (+3%)
Alckmin: de 24% a 25% para 24% (estabilidade)
Haddad: de 22% a 26% para 29% (+7%)
Ciro: cresce de 20% para 21% para 22% (+2%)
Marina: de 29% a 30% para 32% (+3%)
Alckmin: de 24% a 25% para 24% (estabilidade)
Haddad: de 22% a 26% para 29% (+7%)
Ciro: cresce de 20% para 21% para 22% (+2%)
No curto prazo, todas as rejeições estão
dentro da margem de erro da pesquisa e não devem ser consideradas, com exceção
da de Haddad, que cresce 3% nessa leitura, depois de crescer 4% na leitura
anterior, acumulando 7% em duas leituras. Haddad cresceu em rejeição os exatos
7% que cresceu em intenção de votos nesse período, o que mostra a força da
polarização do candidato. Ele ganha novos adeptos na mesma medida que ganha
pessoas que declaram que "não votariam nele de jeito nenhum" (a
metodologia da pergunta de rejeição é essa, para todos).
Se a tendência de rejeição das duas últimas leituras se mantiver
exatamente idêntica a essas duas leituras passadas, a apenas poucos dias antes
da eleição, o cenário seria:
Bolsonaro: 43% (estabilidade)
Marina: 35% (+3%)
Alckmin: 24% (estabilidade)
Haddad: 36% (+7%)
Ciro: 24% (+2%)
Marina: 35% (+3%)
Alckmin: 24% (estabilidade)
Haddad: 36% (+7%)
Ciro: 24% (+2%)
Novamente, o segundo turno cai entre Ciro e
Haddad. Como estamos nos cenários de segundo turno? Por motivos óbvios é muito
número pra visualizar, vou colocar apenas os dados da primeira leitura contra a
terceira, o acumulado.
Ciro x Bolsonaro: de 45% x 35% para 45% x 39%
Alckmin x Bolsonaro: de 43% x 34% para 40 x 39%
Marina x Bolsonaro: de 43% x 37% para 41% x 42%
Haddad x Bolsonaro: de 39% x 38% para 41% x 41%
Alckmin x Bolsonaro: de 43% x 34% para 40 x 39%
Marina x Bolsonaro: de 43% x 37% para 41% x 42%
Haddad x Bolsonaro: de 39% x 38% para 41% x 41%
Anteriormente, todos os candidatos, com
exceção de Haddad, venciam Bolsonaro no segundo turno. O número agora é
absolutamente alarmante: dessa vez, APENAS CIRO o bate no segundo turno, sendo
que nos outros três cenários eles estão ainda em empate técnico dentro da
margem de 2%, no entanto, com tendência positiva de crescimento pro Bolsonaro
no longo prazo (duas leituras) em TODOS os cenários, enquanto todos os outros
candidatos ficaram estáveis, com exceção de Alckmin, que cai 3%.
Isso é o quão preocupante é o nosso momento.
Temos apenas um candidato cuja vitória extrapola a perigosa margem de erro que
pode dar a vitória para ou um ou outro, que é Ciro, que mantém a distância de
6% do oponente (Ciro 45% x 39% Bolsonaro).
Se por conta da última pesquisa Ibope você se
desesperou e decidiu que era hora de verter seus votos para Haddad, segure esse
pensamento. Os próximos dados (e estarei analisando apenas Datafolha) terão o
reflexo de eleitores desanimados de Alckmin e Marina, que mais e mais podem
migrar para os demais candidatos. Não é possível, por nenhuma das metodologias,
dizer de quem saiu o voto para quem foi, então essa próxima sessão da análise é
uma opinião minha:
Bolsonaro parece comer os votos de Alckmin,
conforme se consolida como a única opção estritamente de direita a ter chance
de levar a presidência. Os votos de Marina, no entanto, podem ter migrado para
Ciro ou Haddad, e pode ter havido migração de Ciro para Haddad, mas este se
manteve estável, ou porque não migrou, ou porque recebeu votos de Marina.
Nem todos os eleitores de Alckmin, no
entanto, simpatizam com Bolsonaro, assim como os candidatos menores (Meirelles,
Boulos, Amoedo, etc) devem também perder alguma força no dia do pleito por
conta da baixa performance nas pesquisas e campanhas, e também o total de 5% de
indecisos deve fazer sua opção.
Como foi essa relação entre pesquisa e
realidade em 2014?
Em 2014, a indecisão não declarada do eleitor
fez com que o jogo pelo segundo lugar virasse. Dilma liderava as pesquisas até
19/09 com 37%, Marina seguia em segundo lugar com 30%, e Aécio seguia em
terceiro com 17%. O segundo turno parecia definido entre Dilma e Marina.
No entanto, no último momento, os eleitores
de Marina migraram massivamente para Aécio, que foi ao segundo turno com 33%,
enquanto Dilma também cresceu para 41%.
Parte dessa mudança de última hora pode ser
explicada para o fato de que Marina seguia caindo consistentemente desde agosto
até a eleição em outubro, e na incerteza de fazer oposição à Dilma, os
eleitores migraram para o PSDB, partido mais sólido e tradicional, seguro.
O mesmo pode acontecer nesse momento. Haddad
e Ciro seguem empatados tecnicamente, mas a informação de que Ciro é o ÚNICO
candidato que agora bate Bolsonaro, e apenas 10 dias atrás, todos os demais com
exceção de Haddad também batiam é uma informação relevante.
Novamente: Ciro hoje é o ÚNICO candidato que bate Bolsonaro no segundo
turno. Os demais seguem num empate técnico, mas com crescimento de Bolsonaro no
longo prazo avançando leitura a leitura.
Outra coisa que avança leitura a leitura é a
rejeição de Haddad, que além de ter sido a única que cresceu acima da margem de
erro, também conta com uma rejeição partidária contra o PT (o chamado
"anti-petismo") que é lido apenas pelo Ibope, e que acomoda hoje 30%
de todo o eleitorado. Para entender mais sobre essa pesquisa, deixo matéria
excelente do El País: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/16/politica/1537131928_759863.html
Se mandarmos Haddad para o segundo turno, o
candidato com a segunda maior rejeição irá disputar com Bolsonaro, sendo que
nas pesquisas os dois estão empatados tecnicamente. Quão perigoso é este
cenário, frente a todo o antipetismo que vivemos?!
Em 2014, Dilma venceu o segundo turno por
apenas 3% (51% x 48% Aécio). Apenas 3%. Nessa época, o antipetismo não estava
nem próximo do que é hoje, depois de Lava-Jato, Impeachment e Lula preso, e
Aécio era um candidato MUITO mais fraco que Bolsonaro. Aécio recebeu um apoio
DESCOMUNAL durante sua campanha de 2014, Revista Veja fazendo praticamente
propaganda política na capa, Jornal Nacional, o maior tempo de TV da Eleição (o
mesmo que hoje Alckmin desperdiça), verba de campanha da JBS, Itaú, Odebrecht e
outros gigantes que hoje não podem mais financiar campanha, vídeos e mais
vídeos de celebridades dizendo "quero mudança, quero Aécio", Ronaldo
fenômeno fazendo palanque eleitoral, enfim. E quase não foi ao segundo turno.
Foi na última hora, no último grito do segundo tempo.
Bolsonaro não tem NADA disso. Tem segundos de
tempo de TV, nada de revista Veja, os jornais o posicionam de forma negativa,
não tem verba para comerciais de TV, e mesmo assim ele cresce consistentemente
só na base do boca a boca e desejo dos eleitores.
Bolsonaro é muito mais forte do que Aécio
jamais foi, com recursos monumentalmente menores. E mesmo assim, Dilma, que
ocupava o cargo na época (isso sempre é vantagem), que teve apoio de Lula pela
campanha toda, e não só na reta final, venceu por apenas 3%.
O momento é perigoso para apostar no PT.
Lembrem-se: o único candidato que ainda vence Bolsonaro no segundo turno é Ciro
Gomes. E a boa notícia é que seus planos de governo são bons; ambos. E
similares.
Em resumo: PERIGO. Se o seu objetivo é motivado pelo desespero, se o
foco é impedir que o Bolsonaro ganhe (como é o meu), saiba que com Haddad o
futuro é incerto, e com Ciro, muito mais seguro.
Novamente, boa sorte pra todos nós que sentem que nenhuma das opções
hoje representa os reais interesses da população, e que estamos, mais uma vez,
perpetuando a "velha política", mas que temos mais medo de Bolsonaro
presidente para o bem da nação do que qualquer coisa.
Alexandre Morgado é publicitário e especialista em pesquisas eleitorais. Natural de Bauru e hoje residente em São Paulo.

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