Alexandre Morgado
Estamos na reta final para o primeiro turno,
e tivemos algumas emoções mesmo dentro do mundo das pesquisas eleitorais. O
Datafolha, que vinha soltando as pesquisas de 5 em 5 dias (10/09, 15/09,
20/09), deu um salto e entregou a última apenas no dia 29/09 (o que bagunçou o
calendário deste humilde analista, pois coincidiu com a manifestação #ELENAO, da qual participei como
socorrista do @GAPP, e soltou mais uma HOJE, 02/10.
O Ibope teve duas encomendas diferentes. Uma,
da CNI, que usou a metodologia que até então vinha sendo apresentada pela
mídia, de captar todos os eleitores sem filtro, e uma encomendada pelo Estadão,
que pediu para que a pesquisa fosse feita apenas com eleitores válidos da
última eleição, em uma tentativa de tirar respostas de quem não efetivamente
vai poder votar agora dia 07/10. Teoria da conspiração pra lá e pra cá, é
importante entender que o Ibope é um instituto privado, que atende à demanda do
cliente. O Estadão pediu assim, veio assim, não existe complô. Fora isso, o
Ibope se manifestou hoje dizendo que não há diferença estatística relevante
entre as duas pesquisas, e elas podem ser comparadas.
Como sempre, repito que pesquisa eleitoral,
para mim que trabalho com isso, é apenas DataFolha, Ipsos e Ibope. No entanto,
lembrem-se que não é possível comparar uma pesquisa DataFolha com Ibope para
olhar evolução. Ibope faz painel domiciliar, com um painel fixo de pessoas, Datafolha
fala com pessoas aleatórias na rua. Além de preferir a metodologia Datafolha,
vou seguir com esta análise para a evolução dos dados, e comentar o Ibope
apenas no final.
Vamos lá, comparando os quatro períodos DATAFOLHA, no seguinte formato
(10set / 15set / 20set / 29/09 e 02/10)
Jair Bolsonaro (PSL): 24% / 26% / 28% / 28% e 32%
Ciro Gomes (PDT): 13% / 13% / 13% / 11% e 11%
Marina Silva (Rede): 11% / 8% / 7% / 5% e 4%
Geraldo Alckmin (PSDB): 10% / 9% / 9% / 10% e 9%
Fernando Haddad (PT): 9% / 13% / 17% / 22% e 21%
Ciro Gomes (PDT): 13% / 13% / 13% / 11% e 11%
Marina Silva (Rede): 11% / 8% / 7% / 5% e 4%
Geraldo Alckmin (PSDB): 10% / 9% / 9% / 10% e 9%
Fernando Haddad (PT): 9% / 13% / 17% / 22% e 21%
(Todos os demais, menos de 3%)
Como a pesquisa tem uma possível margem de
erro de 2% para cima ou 2% para baixo (desvio padrão) em cada leitura, podemos
afirmar que nada mudou para Ciro, Marina, Alckmin e Haddad no curto prazo
(entre 29/09 e 02/10), Haddad havia crescido 5% na última leitura e tem sua
primeira estabilidade desde que começou a crescer com a oficialização da sua
candidatura em 10/09.
Um ponto que não comentei nas análises
anteriores, mas vale a pena, é que Bolsonaro tem quase a METADE das intenções
de voto com as mulheres que tem com os homens (37% homens, 21% mulheres).
Quando o candidato diz que não aceita os resultados das urnas (em uma atitude
antidemocrática e autoritária), ele desconsidera que falhou em engajar o maior
público eleitoral do país, as mulheres.
O cenário fica mais definido para Haddad como
quem vai para o segundo turno, até duas leituras atrás ele ainda se encontrava
em empate técnico por conta das margens de erro com Ciro, mas agora há um
distanciamento. Isso traz um cenário mais confortável para o PT no primeiro
turno, mas o perigo do segundo turno se mantém.
E as rejeições? Vou olhar apenas o acumulado
dos últimos DOIS períodos para não ficar esbarrando em margem de erro, e vou
analisar apenas os candidatos Ciro, Haddad e Bolsonaro, visto que nesse
momento, as chances de Marina ou Alckmin de chegarem ao segundo turno são muito
baixas. Novamente o formato será: 10set / 15set / 20set / 29 set e agora 02out
Bolsonaro: 43% / 44% / 43% / 46% e agora 45% (+2 pontos percentuais em 2
períodos)
Haddad: 22% / 26% / 29% / 32% / 41% (+10 pontos percentuais em 2 períodos)
Ciro: 20% / 21% / 22% / 21% / 22% (estabilidade)
Haddad: 22% / 26% / 29% / 32% / 41% (+10 pontos percentuais em 2 períodos)
Ciro: 20% / 21% / 22% / 21% / 22% (estabilidade)
Haddad cresce 19 pontos percentuais em
rejeição do dia 05/setembro até 02/outubro, e nas intenções de votos cresce 12
pontos no mesmo período. É a primeira
vez que o candidato cresce mais em rejeição do que em intenção de votos.
Até a leitura passada, dentro da margem de erro, ponto por ponto em intenção se
acumulava em rejeição. Também é a primeira vez que o candidato Haddad entra na
casa dos 40% de rejeição e fica em EMPATE TÉCNICO com Bolsonaro.
E o segundo turno? O cenário segue o mesmo
das últimas análises, Haddad cresce, sua rejeição cresce, e o segundo turno é
arriscado entre Haddad e Bolsonaro, embora a vantagem de Ciro contra Bolsonaro
também tenha diminuído.
Olhando as últimas três leituras para evolução (20/09, 29/09 e 02/10):
Haddad x Bolsonaro: de 41% x 41% para 45% x 39% e agora 42% x 44%
(empate técnico).
Ciro x Bolsonaro: de 45% x 39% para 48% x 38% e agora 46% x 42% (empate técnico).
Ciro x Bolsonaro: de 45% x 39% para 48% x 38% e agora 46% x 42% (empate técnico).
Em ambos os casos a margem de erro de 2%
torna o segundo turno empate técnico, embora Bolsonaro possa ter entre 42% e
46%, e Haddad entre 40% e 44%.
Com Ciro, Bolsonaro pode ter entre 40% a 44% enquanto Ciro 44% e 48%.
Estatisticamente, no entanto, os cenários significam a mesma coisa, embora o
crescimento alarmante da rejeição a Haddad pode mudar o jogo agora na reta
final.
E o Ibope?
Como comentei anteriormente, não se deve
misturar os dados de uma leitura de um instituto entre o outro, por exemplo,
ler Datafolha em uma leitura, e considerar a próxima leitura do Ibope uma
continuação destes dados. Mas vale lembrar que a rejeição de Haddad salta
preocupantemente na última leitura Ibope também, passando de 27% para 38%,
enquanto também fica estável em intenções de voto (oscilando entre 22% e 21% há
três leituras), ou seja, os dados mostram a mesma tendência Datafolha de
estabilização das intenções com disparada de rejeição.
No segundo turno Ibope, Ciro segue vencendo
com 45% versus 39% Bolsonaro, enquanto Haddad e Bolsonaro empatam ambos com
42%.
Minha conclusão segue a mesma de antes. Se mandarmos Haddad para o
segundo turno, ambos Bolsonaro e o candidato do PT estão empatados tecnicamente
na rejeição. Quão perigoso é este cenário, frente a todo o antipetismo que
vivemos?
Para piorar, quase 4 milhões de eleitores
ficarão sem poder votar por não terem cadastrado a biometria, e 45% destes
estão no Nordeste, maior reduto de votos historicamente do PT (e de Ciro Gomes
também). No entanto, Ciro não é tão rejeitado nas demais regiões como Haddad, e
estes votos não farão tanta falta no segundo turno como farão para o candidato
petista.
O momento é perigoso para apostar no PT, com sua rejeição em disparada.
Analisarei qualquer outra pesquisa que saia antes do dia sete de outubro tão
rápido quanto possível. Boa sorte para nós, que não querem #ELENAO de forma
alguma.
Alexandre Morgado é publicitário e especialista em pesquisas eleitorais. Natural de Bauru e hoje residente em São Paulo.

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