Por Gustavo Castañon
Por razões pessoais me ausentei do debate
pós-eleitoral, mas é impossível não me pronunciar diante do artigo de Luís Nassif distorcendo a posição de dois
amigos meus, Ciro Gomes e Mangabeira Unger. Digo
isso logo no primeiro parágrafo para que não seja acusado de dissimular meu
lado nessa história, como Nassif, que é membro da blogosfera construída pelo PT
e ex-funcionário da TV Brasil.
Esses fatos não são deméritos, quem trabalha na
imprensa (em qualquer uma de suas vertentes) tem lado, e tolo é quem pensa que
não. Sou leitor de Nassif e o considero um arguto observador da cena nacional,
e é exatamente por isso que não podia deixar sem resposta seu artigo que se
alinha ao jogo de falsificação histórica do PT, querendo imputar a culpa por
seu imenso desastre eleitoral nas costas de outro candidato, que foi traído,
preterido, sabotado e atacado por esse partido não só agora, mas durante toda
sua vida política.
Existe uma coisa em psicologia de grupos que se
chama “pontuação na sequência de eventos”. A maioria dos conflitos entre duas
ou mais pessoas acontece porque elas pontuam o evento inicial que deu origem ao
conflito em momentos diferentes da história, levando às comuns acusações de que
“foi você que começou”. Ora, até pelo poder que acumulou e exerceu nos últimos
16 anos, quem merece o título de iniciador dessa sequência de eventos é Lula e
o PT.
Porque a história dessas eleições não começa
quando, 48 horas antes do prazo final para registro de candidaturas, Lula
ordena que Ciro vá se ajoelhar para ele em sua cela. Ela começa muito antes.
Poderíamos estabelecer o começo dessa história
quando Lula escreve a “Carta aos Brasileiros”, carta que Ciro jamais escreveu
para vencer, ou quando nomeia o ex-presidente do BankBoston para liderar o
Banco Central do Brasil, dando-lhe na prática independência: independência dos
interesses nacionais. Poderíamos começar quando Lula decide continuar o
rentismo ou em qualquer um dos dias em que se jactou de ter liderado o governo
onde “os banqueiros nunca lucraram tanto”. Poderíamos começar essa história
quando Lula intervém no PSB para proibir a candidatura Ciro e nos descer pela
goela Dilma, em 2010, ou quando a mesma comete o maior estelionato eleitoral da
história, pressionada por Lula, e nomeia um representante dos banqueiros para
aplicar um ajuste neoliberal em nossa economia em 2014. Ou ainda quando o PT
compara o impeachment de Dilma com o golpe contra Jango, que perdeu o poder ao
defender a taxação da remessa de lucros, o voto dos analfabetos e a Reforma
Agrária, as chamadas Reformas de Base.
Mas não. Vamos estabelecer o início dessa história
na campanha eleitoral deste ano. Que não começa na manobra venal de Lula para
colocar Ciro de joelhos, mas no lançamento das candidaturas de Lula e de Ciro,
ainda em 2017. Sempre fui partidário da candidatura de Ciro e considero os
governos do PT medíocres, servis e grandes oportunidades perdidas, como atestam
o índice de crescimento médio do país – quase idêntico ao tucano – e a
manutenção dos índices de desindustrialização e desigualdade. Apesar disso,
considerava acertado o lançamento retórico da candidatura Lula e suas caravanas
pelo país para se defender e recuperar seu capital político e eleitoral.
No entanto, qualquer agente político sério no
Brasil sabe duas coisas. Primeiro, que viabilidade eleitoral não é viabilidade
política, numa eleição não se deve somente construir uma maioria de votos, mas
condições de exercer o poder. E Lula não tinha mais condições políticas de o
exercer, uma vez que era vetado por todas as instituições e corporações da
República, particularmente, o Judiciário. Que dirá o PT. Esse partido não só
tinha a imagem imensamente comprometida com a manutenção do status quo (por
bons motivos) e com a corrupção, mas também a reputação de hegemonista,
arrogante, traiçoeiro e inconfiável disseminada pela quase totalidade da classe
política. O campo progressista estava terrivelmente isolado e a reconstrução
das condições da volta ao poder passava pela renúncia do PT à cabeça de chapa.
Esse movimento poderia ser um recuo tático do partido se seu objetivo fosse de
fato disputar o poder central e não a liderança da oposição ao governo Alckmin.
Em segundo lugar, todos sabiam que Lula não seria
candidato, apesar das desavergonhadas tentativas da blogosfera petista de
enganar a militância com esperanças mirabolantes. E Lula não seria candidato
por causa da lei que ele próprio sancionou, refém do udenismo e da ingenuidade
republicana do PT, que nunca sinalizou qualquer resistência efetiva às
investidas do Poder Judiciário.
Assim como era obrigação política de Lula defender
o legado do PT de sua satanização indevida, era obrigação política de Ciro
apresentar e defender um novo projeto para o país, criticando todos os erros
cometidos pelo PT na condução do governo. Se não o fizesse, seria visto pela
Nação como um preposto do PT, inviabilizando a mudança e a superação da
polarização petismo/anti-petismo que afundou, finalmente, o Brasil.
O PT e Lula têm motivos para cobrar politicamente
de Ciro uma solidariedade maior com a perseguição judicial que Lula estava
sofrendo. Mas, igualmente, subir num palanque com Lula contra o Judiciário
seria abandonar toda perspectiva de fugir da lógica personalista que Lula
queria impor – e impôs – às eleições, e sujeitar-se à uma condição de
“puxadinho do PT”, condição que condenou as candidaturas de Boulos (que teve um
terço da votação do PSOL em 2014) e de Manuela, que terminou a campanha como
uma vice escondida pelo PT. Isso sem falar na delação de Palocci, nos outros
seis processos e nas novas acusações contra Lula e toda a direção do PT, que
Ciro e a torcida do Corinthians sabiam que viriam.
Para apoiar Ciro, Lula e o PT, como qualquer
político e qualquer partido, tinham o direito de querer que ele se
comprometesse a defender o legado petista, e se transformasse nas eleições no
“campeão do lulismo”, uma espécie de Lancelot do Lula. Mas Lula não deveria ter
se comportado como um político qualquer. Ele deveria ter se mirado no exemplo
de Brizola e se comportado como um estadista, que pensa em seu povo e seu país
antes que em seu jogo de poder pessoal. O apoio a Ciro sem a exigência dele se
comprometer com a pauta política que foi rejeitada na eleição poderia ter
mudado os rumos do campo progressista, do Brasil e do próprio PT.
Porque, como vimos, o país estava farto do PT.
Mesmo nos melhores momentos de intenção de voto de Lula, o candidato apoiado
por ele no segundo turno ostentava de 61% a 63% de rejeição no Datafolha. Os
blogues petistas falsificavam o significado de perguntas como “Você votaria num
candidato apoiado por Lula?” ou reproduziam as peças de propaganda da Vox
Populi, enquanto tanto eles quanto a direita brasileira sabiam que o PT tinha
força suficiente para colocar um candidato que não Lula no segundo turno, mas
não para vencê-lo. A maioria do país ainda aceitava Lula, mas já não aceitava,
em hipótese alguma, o PT.
Então Lula tinha diante de si duas alternativas
decentes. Deixar Ciro construir um novo polo enquanto mantinha uma candidatura
petista exclusivamente para defender seu legado, ou ser grande e apoiar Ciro
desde o começo, permitindo que ele minimizasse o dano do apoio do PT e que
pudesse fazer a crítica necessária ao período petista.
Mas não. Lula usou de todos os meios a seu dispor
para sabotar a candidatura Ciro e direcionou todas as suas baterias políticas –
inclusive a máquina de internet do PT – para seu desgaste pessoal, atuando em
comum acordo com o PSDB para manter a polarização política tradicional entre os
dois partidos.
Provavelmente por coincidência, no mesmo período
assistimos a uma surpreendente absolvição de Gleisi num momento em que o PT só
colecionava condenações, assim como uma mais surpreendente ainda libertação de
Zé Dirceu, já condenado pela segunda vez e tendo perdido os direitos de
progressão de pena. O que não foi nada surpreendente é que Dirceu tenha saído
da Papuda diretamente para articular o isolamento de Ciro com o PSB e o PCdoB,
papel que Gleisi já vinha se esforçando para desempenhar, mas com menor
competência.
E assim o PT e Lula usaram todo o resto de seu poder
eleitoral para esfacelar o PSB e dar seu tempo de TV para a direita, impedindo
o fechamento com Ciro (às custas das destruições das candidaturas de Marília em
Pernambuco e Lacerda em Minas, o que entregava o segundo Estado da federação ao
PSDB, mas acabou o entregando ao Itaú), assim como levaram o parceiro de Lula,
Valdemar da Costa Neto, a entrar na negociação com o Centrão e o levar para
Alckmin. Ainda colocaram o PCdoB sob chantagem contra
suas candidaturas no país inteiro, levando-o a péssima decisão de mais uma vez
caminhar com o PT, o que o deixou sem conseguir vencer a cláusula de barreira.
Por fim, sabendo que a liderança do PT não tinha
mais viabilidade política para governar, que sua candidatura era uma fraude,
que ele estava preso e condenado, que não poderia fazer campanha, que o país
queria um projeto alternativo ao do PT, que tinha sabotado de todas as formas a
candidatura Ciro, que na condição de vice Ciro seria retirado da disputa e dos
debates por tempo indeterminado, que ia submeter as eleições a um debate sobre
ele, Lula ordena que Dilma convoque Ciro para se ajoelhar diante dele na
carceragem de Curitiba.
É fácil hoje dizer que Ciro errou e que se tivesse
se ajoelhado seria presidente. Mas o PT tem que se decidir por uma linha
coerente no seu esforço de destruição da imagem de Ciro. Se Ciro só pensa em
seu projeto pessoal porque não se ajoelhou para Lula? Ele coloca seu orgulho
acima de seu projeto pessoal? Bem, do meu ponto de vista nem uma coisa nem
outra, evidentemente. A decisão de Ciro naquele momento era dificílima e teve
lógica política e como resultado imenso sacrifício pessoal e desprendimento em
prol do Brasil. O que Ciro levou em consideração?
1) Ser vice de Lula seria abonar a fraude do PT e
participar de um ardil com o povo brasileiro, porque Lula não era de fato
candidato;
2) Seria se submeter simbolicamente a um preso
condenado, o que inviabilizaria a autoridade moral de um eventual futuro
presidente;
3) Havia ameaça de a justiça eleitoral impugnar não
Lula, mas a própria candidatura do PT, como se lembram os observadores mais
atentos. Neste caso, com toda a centro-esquerda no mesmo barco, a eleição
estaria finalizada;
4) Ao se colocar na chapa do PT, Ciro perderia
qualquer controle sobre a campanha e se comprometeria juridicamente com o que
havia sido feito até então e com as formas de arrecadação e financiamento do
partido, colocando seu destino político nas mãos de pessoas como Gleisi
Hoffmann e Sérgio Gabrielli e podendo ficar, por consequência, inelegível por
oito anos;
5) No caso de impugnação de Lula, a definição de
Ciro como candidato da aliança estaria nas mãos do glorioso diretório nacional
do PT, problema que poderia ser minimizado com um acordo público, mas jamais
eliminado. Sabemos que poderiam utilizar qualquer declaração crítica de Ciro
como desculpa para trair o acordo, e o histórico do PT não recomenda qualquer
confiança. Como mostrarei aqui ,o objetivo do PT nunca foi ganhar a eleição,
mas garantir seu papel de líder da oposição e eleger 50 deputados garantindo a
sobrevivência do partido e sua máquina. Estrutura, gabinetes, fundo partidário,
tempo de TV, fundo eleitoral: isso para a burocracia do PT está acima de tudo;
6) Ao se submeter à condição de vice-fake, não só
seria impedido de participar dos debates enquanto a candidatura não fosse
julgada – o que nesse caso poderia ter se arrastado até a última semana – como
perderia a condição de ser visto como uma alternativa de poder, sem contar com
o dano de imagem em se submeter ao PT depois de tudo o que o partido fez não só
no governo, mas com ele próprio dias antes;
7) Aceitar a condição de vassalo de Lula o faria
definitivamente refém da agenda lulista e do debate em torno de Lula e do PT,
tirando-lhe as condições políticas, inclusive controle sobre seu próprio tempo
de TV, para debater a questão nacional e apresentar projeto alternativo ao
petismo;
Então Ciro decidiu enfrentar a máquina de Alckmin,
de Bolsonaro e do PT e levar ao Brasil um discurso próprio, um projeto novo e
uma alternativa para a esquerda e o país, mesmo sabendo que a eleição seria
muito difícil. Mais uma vez, provou que seu desejo de ser presidente não está
acima de tudo. Nunca o levou a se vender a FHC, ou à banca, ou a escrever Carta
aos Brasileiros, ou a se ajoelhar a personalismos.
Foi esse desprendimento que não teve Haddad, ao
contrário da interpretação de Nassif. Ele não fez como Wagner, que se recusou a
ser candidato e pediu o apoio a Ciro no primeiro turno. Haddad se agarrou
avidamente a oportunidade de ressuscitar sua carreira política.
E foi assim que o PT destruiu o país. Sabendo que
não tinha condições políticas de exercer o poder, que levaria o país a outro
golpe caso vencesse, sabendo que Haddad não venceria o segundo turno, que se
vencesse não tomaria posse, que se tomasse não governaria e que se governasse
entregaria o país em nome da esquerda ou seria derrubado, enfiou pela goela do
Brasil sua tragédia e condenou nossa soberania e o futuro de milhões de
crianças e jovens brasileiros para obrigar o país a debater a prisão de Lula e
provar que seu poste tinha mais votos que Ciro no primeiro turno.
Para prová-lo, Lula escolheu o candidato mais
inviável, um liberal paulista que, justamente ou não, foi considerado o
prefeito mais impopular do país e perdeu de forma humilhante uma eleição menos
de dois anos antes, sentado na cadeira, no primeiro turno em São Paulo onde o
PT punha seu candidato no segundo turno desde 1992.
Concluindo as evidências de que o PT não pretendia
de fato vencer, lembro ainda que o primeiro ato de Haddad no segundo turno foi
visitar Lula na prisão, fato que enterrou qualquer possibilidade de disputa
acirrada. Porque afinal não o faria? A missão já estava cumprida. Ou ainda
lembro que enquanto uma militância ingênua se esgoelava e lutava
desesperadamente às vésperas das eleições, Dirceu e Gleisi faziam declarações
suicidas de indulto a Lula como primeiro ato de governo ou “tomada do poder”.
Para eles, a eleição já estava ganha: Haddad tinha ressuscitado, o PT tinha
conseguido se manter como maior partido de oposição e feito 50 gabinetes na
Câmara, garantido bom fundo partidário e alguns governadores. O PT estava
salvo. O Brasil, destruído.
A Nação em nenhum momento foi questão para o PT.
Mais uma vez esse partido arrastou a esquerda para uma campanha vergonhosa e despolitizante,
baseada num discurso reacionário de volta a um passado mítico que nunca existiu
e do qual a maioria da população brasileira queria a superação, e num
messianismo que no segundo turno teve que ser escondido. O símbolo da campanha
de Haddad foi, sem dúvidas, ele se escondendo atrás da máscara de Lula.
E se escondendo atrás da máscara de Lula ele
despolitizou o debate, batendo apenas na tecla do vitimismo, da saudade e das
liberdades individuais, deixando Bolsonaro de cara para o gol com sua pauta
moralista e também despolitizada. Porque eles fizeram isso? Ora, porque não tinham
como defender a política econômica liberal do governo Dilma nem se apresentar
como mudança verdadeira para a população. Ao contrário, escreveram nova “Carta
aos Brasileiros” defendendo o ideário neoliberal.
Elegendo vergonhosamente Ciro, e não o fascismo,
como seu adversário preferencial, o PT jogou todo o peso de sua máquina no
Nordeste para lhe roubar aliados, tendo inclusive enfrentado denúncias até hoje
não esclarecidas.
Enquanto Ciro chamava Bolsonaro para o debate e o
acusava do alto dos carros de som, Haddad não pronunciava seu nome porque o PT
acreditava, irresponsavelmente, que seria capaz de montar uma frente
democrática em torno de si no segundo turno e perder por margem menor o
enfrentando. O verdadeiro desastre para o tipo de partido que é o PT seria a
eleição de Ciro contra ele. O partido segurou sua militância que se apavorava
com Bolsonaro e queria combatê-lo e, enquanto Bolsonaro disparava nos trackings
e se encaminhava para a vitória em primeiro turno, espalhava falsos “trackings
do MDB” que mostravam que era Haddad que quase ultrapassava Bolsonaro,
alimentando a polarização que nos destruiu. Disseminaram a ideia de que
Bolsonaro era o candidato ideal para o segundo turno e que a missão central era
destruir o centro político. Isso num momento de ascensão real do fascismo.
Na rede, onde atuei mais diretamente na campanha, a
máquina do PT disseminava peças difamatórias contra Ciro até mesmo de seus
blogues e jornalistas associados. Contra Bolsonaro, nada, até os últimos dez
dias do segundo turno. Não tinham sequer algo pronto para entrar imediatamente
após o primeiro turno.
Isso quer dizer o quê, que o PT queria perder para
Bolsonaro? Não. O PT planejou perder para o PSDB para juntos enterrarem a
lava-jato e se acomodar novamente em seu papel de oposição até o dia em que
pudesse voltar. A aposta, no entanto, deu errado. Agora, Lula pagará pelo resto
de sua vida na cadeia. Eu, realmente, lamento, e quem me conhece sabe que
lamento. Por ele também, mas principalmente pelos milhões de crianças e jovens
brasileiros que perderam seu futuro.
Ciro não deve ser mitificado, como o petismo faz
com Lula e o bolsonarismo com Bolsonaro. Ele erra, tem defeitos e discordo de
alguns erros táticos que cometeu. Por exemplo, discordo de ele não ter dado uma
simples declaração de voto em Haddad, mesmo tendo liberado todo seu grupo
político para apoiá-lo e votado nele. Discordo não porque isso tenha feito
qualquer diferença nas eleições, mas simplesmente porque deu instrumento
retórico para a falsificação histórica que hoje o PT tenta promover, mesmo com
a transferência quase completa dos votos de Ciro para Haddad.
É incrível, incrível desonestidade um homem como
Nassif dizer que as entrevistas de Mangabeira “esclarecem de vez as razões
objetivas que levaram ao racha das esquerdas”. Quem teve o destino dessas
eleições nas mãos foi Lula, em nenhum momento Ciro. O resultado dele se
submeter a essa manobra brutal de Lula ainda é, hoje, totalmente imprevisível,
com amplas possibilidades de desastre.
E o fato aqui é que Lula novamente brincou de Deus e se destruiu definitivamente. Sua propalada intuição política e genialidade que errou todas nos últimos quatro anos entregou o país à sanha estrangeira e à destruição de sua soberania, e o povo brasileiro ao massacre definitivo de seus direitos. E ele sabia que o risco era esse.
Então você, leitor, pode julgar depois de tudo isso
que Ciro decidiu não ser vice de Lula por ser orgulhoso ou qualquer outro
defeito pessoal. Mas eu acho que quem continua pensando isso depois desse quadro
apresentado, baseado em fatos de domínio público, pode somente estar tão
desacostumado a ver desapego e dignidade pessoal na política, que não consegue
mais os reconhecer quando aparecem. Por isso Ciro pode até ser criticado como
político e candidato, mas como pessoa mostrou mais uma vez na vida que é um
homem honrado que não está disposto a qualquer coisa para ser presidente.

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