Por
Paulo Henrique Faria
Depois
de pouco mais de um mês de campanha oficial para a presidência da República e
de vários levantamentos de intenções de voto, a campanha se estreita para um
duelo triplo: Ciro, Haddad e Bolsonaro. Chego a essa constatação depois das
duas últimas pesquisas Ibope e Datafolha, divulgadas na terça (18/09) e quarta
(19/09), respectivamente.
O ex-capitão e candidato do PSL, Jair
Bolsonaro, praticamente garantiu sua vaga no segundo turno pela já
cristalização do seu eleitorado. O fatídico episódio da facada manteve sua
rejeição estagnada e aumentou – mesmo que em menor escala – sua estimulada. Na
Ibope e Datafolha Bolsonaro apareceu com assustadores 28%.
Fernando Haddad (PT) vem oficialmente
como o ungido de Lula desde o dia 11/09. No Ibope apareceu com 19% e Datafolha
de ontem com 16 pontos. Entretanto, na mesma medida que viu seus votos aumentarem,
também presenciou sua rejeição disparar e chegar em 29% até então. Resultado?
Perde praticamente para todos nos cenários de segundo turno.
Outro óbice para o ex-prefeito paulistano
é certamente Ciro Gomes (PDT). Chama atenção a sua notória resiliência na
manutenção de apoio. Ciro está há duas semanas entre 11 e 13 pontos da preferência.
Mesmo com toda a blogosfera lulopetista destacando Haddad e o preterindo. Mesmo
sem a estrutura partidária petista e o tempo de TV necessário.
Como isso acontece? Explico: Ciro foi
de longe o que melhor aproveitou suas inserções na imprensa da TV aberta e
fechada. Suas participações nos debates da Band, RedeTV e Gazeta, bem como a
ida na Globo News, deram o que falar. Outro fator positivo foi as sabatinas com
a dupla inquisidora do Jornal Nacional, além da ida ao Jornal da Globo na
última segunda. Com aproximadamente 30 minutos para falar em cada, Ciro
conseguiu passar sua proposta do “Nome Limpo” e, ainda, teve tempo para
esbofetear os neoliberais, Bolsonaro e seu vice “Jumento de Carga” e, claro, de
apontar as contradições do Partido dos Trabalhadores.
Ciro foi o que suscitou as maiores
audiências nos telejornais globais. Seu sucesso midiático propiciou estar no
topo dos trending topics do Twitter e número de menções no Google e Facebook, desde
que a campanha teve início. Isso ajuda a nos explicar em linhas gerais o seu êxito
em peitar o hegemonismo da esquerda brasileira.
Mas
voltemos para a análise das pesquisas. Ciro está estagnado na estimulada, mas
tem a menor rejeição dentre os principais candidatos. No Ibope aparece com 21%
e no Datafolha com 22% neste quesito. Isso é determinante para Ciro vencer
absolutamente todos nos cenários testados de segundo turno. Vejam os números
abaixo:
Este é sem dúvida alguma um trunfo que
Ciro usará para pedir o voto útil do campo progressista. Uma vez que Ciro
sempre ganha com folga de Bolsonaro e, Haddad, ao contrário, não. Outro item
que me chamou a atenção foi a pesquisa de “segundo voto” perguntado pelo
Datafolha. Nela mostra que Ciro lidera com 15% desta escolha secundária. Mais
um fator para o pedetista mostrar que é a terceira via; sim, porque boa parte
dos votantes não querem Haddad e tampouco Bolsonaro. Vejam o índice mencionado:
É exatamente aí que entram dois outros
players: Marina Silva e Geraldo
Alckmin. A primeira desidratou uma vez mais e o segundo, apesar de ter de longe
o maior tempo de TV e dinheiro, não sai dos 9%. A ex-ministra perdeu muitos
votos para Haddad e Ciro. Já o ex-governador paulista foi sugado por Bolsonaro,
que hoje é o representante do lado conservador. Ciro pode se beneficiar desse
fracasso de ambos e concentrar em si o voto útil tanto dos marinistas, quanto
dos alckmistas. Lógico, pois muitos deles não votam de forma alguma no PT e,
assim, podem dar o direito do pedetista ser o adversário do “inominável” no
segundo tempo desta partida.
Um detalhe crucial que animou
decisivamente a militância cirista de ontem pra hoje foi a diferença entre Ciro
e Haddad ser menor no Datafolha. Sim, no Ibope era de oito pontos e noutro
instituto foi de apenas três. Ou seja: na média ponderada Ciro e Haddad estão
tecnicamente empatados.
O que percebo é que a burocracia do PT
e a mídia ao seu dispor agiram de forma arrogante. Já colocaram e seguem colocando
Fernando Haddad no segundo turno e, desta maneira, superestimam a força de Ciro
Gomes e do PDT. Entretanto, temos ainda exatos 17 dias até às eleições. Teremos
– se contarmos o confronto da TV Aparecida de logo mais – quatro importantes
debates na televisão até o dia 04/10. Muita campanha de rua e possíveis
reviravoltas. Outro dado precioso é o entregue pelo diretor do próprio
Datafolha, Mauro Paulino. Ele afirmou recentemente que no pleito de 2014, 23%
dos eleitores deixaram para decidir de vez seu voto na última semana; e 9% na
véspera da disputa.
Portanto, finalizo minha reflexão com três
ditados populares: “O jogo é jogado e o lambari é pescado” ou “O jogo só acaba
quando o juiz apita” e, por último, “O exército arrogante perderá a batalha que
estava segura”.
Veja a pesquisa Ibope completa: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/09/18/pesquisa-ibope-bolsonaro-28-haddad-19-ciro-11-alckmin-7-marina-6.ghtml
Veja a pesquisa Datafolha na íntegra: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em-numeros/noticia/2018/09/20/pesquisa-datafolha-de-20-de-setembro-para-presidente-por-sexo-idade-escolaridade-renda-cor-religiao-e-regiao.ghtml



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